Importação marítima x importação aérea: qual a mais vantajosa?

“Importação marítima ou importação aérea: Qual a mais vantajosa?” Aparentemente esta pergunta parece ser fácil de responder. Só que geralmente estamos pensando apenas naquela nossa pequena encomenda que compramos lá da China e que estamos ansiosos para receber.

…então responderíamos: Importação aérea é mais vantajosa!…porque é mais RÁPIDA!

Mas não é apenas a velocidade o fator que implica em ser ou não vantajosa a importação.

Precisamos analisar de maneira geral o transporte de carga e todos serviços que podem impactar direta ou indiretamente nesta.

Quando pensamos em importação, para fins de revenda no Brasil, temos que lembrar que existem vários serviços envolvidos, como por exemplo:

  • Corretagem de Câmbio
  • Transporte Internacional
  • Agenciamento de Carga
  • Armazenagem em terminais de cargas
  • Comissária de Despachos ou Despachantes Aduaneiros
  • Transporte Nacional
  • Órgãos Públicos

Mas Carol, como faço essa análise? Como vou saber escolher?

Então vamos lá…vou analisar alguns pontos importantes para esta tomada de decisão.

O transporte internacional de carga

Na maioria das vezes, é através do agente de carga que o importador “compra” o frete internacional.

O agente de carga é o intermediário entre a cia aérea ou armador marítimo, e o importador.

É o agente de carga quem planeja e “compra” espaço nas aeronaves e nos navios, e revende estes espaços ao importador. Assim, o agente de carga que consolida diversas cargas em um mesmo contêiner ou em um mesmo avião.

É responsabilidade do agente de carga a emissão do conhecimento de transporte (AWB ou BL), e acompanhamento do trânsito da carga enquanto responsável pelo frete.

O transporte internacional é o protagonista desta nossa análise, porque é o que sofre interferência da via escolhida.

Vamos ver cada um:

importação marítima

importação aérea

Como funciona na prática?

Os frete aéreos são comercializados por “Kg”. Ou seja, é cobrada uma taxa por “kg” de mercadoria embarcada.

Um exemplo fictício:

importação aérea

Já o frete marítimo é comercializado em toneladas ou metragem cúbica.

Um exemplo fictício:

Vejam que o frete marítimo é mais indicado para cargas que sejam muito pesadas ou volumosas e que não sejam frágeis.

Já o frete aéreo, por ser cobrado por kg, e ter algumas restrições quanto ao tipo de mercadoria que pode ser embarcada em uma aeronave, é mais indicado para produtos mais leves, menos volumosos e que sejam mais frágeis/delicados.

O tempo de trânsito é algo significativo. Na comparação acima é possível perceber que da Europa para o Brasil de navio leva-se em média 20 dias e de avião 4 dias.

Porém o que tem que ser avaliado não é apenas a urgência no recebimento da mercadoria, mas sim o tipo e quantidade de mercadoria que serão embarcadas.

Por exemplo, para importar um carro, não faz sentido embarcar via aérea, devido ao peso e volume total, e por consequência o alto custo que será cobrado de frete aéreo.

Geralmente importa-se carros novos via transporte marítimo.

Já para importar materias de escritório como blocos de papel ou cartões em papel, não é indicado embarcar via marítima pela fragilidade do tipo de material. A probabilidade de entrar umidade no container é bastante grande o que danificaria o material. Isso vale para mercadorias como vidros, perecíveis, animais vivos, etc.

Os terminais de armazenagem

Como regra geral, a armazenagem é cobrada por períodos e normalmente tem como base de cálculo o valor CIF da mercadoria e o peso desta. O valor CIF da mercadoria a ser considerado, em via de regra, é o constante na Declaração de Importação.

Como a armazenagem é cobrada por períodos, que podem variar entre terminais portuários, portos secos e aeroportos, mesmo que a sua carga fique apenas parte do período estipulado, o valor não irá mudar, nem ser fracionado, paga-se o valor referente ao período de inteiro.

Nos casos das mercadorias marítimas que chegam nos portos elas podem ser armazenadas no Terminal de atracação do navio, ou serem removidas para um outro terminal ou porto seco a pedido do importador.

Guia de Importação Gratuito

Há “serviços complementares” nos terminais portuários que são cobrados em função do peso ou volume da carga (o que for maior), como: Handling In, Handling Out; e há “taxas fixas” para determinados serviços como: Cadastramento de BL, Inspeção não invasiva por Scanner, Presença de Carga, etc.

No caso da armazenagem aérea, as mercadorias que chegam nos aeroportos vão para o TECA (Terminal de Cargas) dentro do próprio aeroporto. A tabela aplicada é definida pela ANAC.

O que tem que ser verificado antes de fazer a importação via marítima ou aérea é qual o valor o terminal irá cobrar por esta estadia. É possível fazer simulações tanto para cargas aéreas como marítimas.

O fechamento de câmbio

Os serviços de fechamento de câmbio na importação não têm diferenciação na questão do meio pelo qual a mercadoria será transportada.

As taxas serão as mesmas tanto se a importação for via aérea quanto via marítima.

O que fará diferença é o montante a ser remetido. Geralmente valores maiores conseguem uma negociação de taxa melhor. E quando falamos em valores maiores, geralmente, isso representa grande quantidade de mercadoria.

Comissária de despachos ou Despachantes Aduaneiros

As comissárias de despacho e/ou despachantes aduaneiros geralmente cobram valores mais altos de honorários pelo despacho marítimo do que pelo despacho aéreo, isso porque o despacho de importação marítima é mais trabalhoso e burocrático.

Órgãos públicos

A Receita Federal, órgão público que tem maior impacto e influência no desembaraço das cargas de importação, não cobra por liberação, tanto faz ser aérea ou marítima, o que são recolhidos, pelo próprio importador, são os tributos devidos na importação como II, IPI, PIS, COFINS, TAXA SISCOMEX, ICMS, etc.

Para fins de tributos também não há diferenciação entre importação aérea e marítima, o que ocorre é que via marítima há algumas taxas a mais que via aérea, como por exemplo o AFRMM (Adicional ao frete para renovação da marinha mercante).

Transportadora Nacional

Vejam que depois que a mercadoria importada é liberada pela Receita Federal é necessário o transporte desta até o estabelecimento do importador.

Pensando geograficamente os portos brasileiros ficam mais distantes dos grandes centros que os aeroportos, além do número de portos operantes ser bem menor que o de aeroportos.

Esse fato impacta diretamente no transporte nacional (interno). Quanto mais distante a carga estiver do seu ponto de entrega final, maior será o valor do frete rodoviário.

Conclusão sobre a importação aérea x importação marítima

Estar consciente do tipo e volume do material que está comprando é imprescindível para a decisão de qual meio irá contratar, se aéreo ou marítimo. Com estas informações poderá verificar junto aos terminais de armazenagem qual valor estimado que será cobrado pela estadia da sua mercadoria, assim como também poderá estimar os valores dos tributos envolvidos, as taxas de câmbio, os honorários do despachante, o valor do transporte rodoviário, etc. Resumindo é possível fazer uma estimativa de toda operação, basta ter em mãos as informações completas da mercadoria.

Vejam que a escolha da via de importação, se aérea ou marítima, não fica a cargo apenas do tempo de trânsito envolvido, mas sim do tipo e quantidade de material. Muitas vezes não cabe uma “escolha” propriamente dita, e sim uma única opção devido as características da mercadoria importada.

Antes de decidirem pelo transporte aéreo ou marítimo da importação analisem estes pontos que foram comentados no texto de hoje.

 

Para que serve a licença de importação?

Olá pessoal!

 

Hoje venho contar para vocês para que serve uma Licença de Importação.

 

Analisando apenas a palavra “Licença de Importação” parece óbvia sua finalidade, poderíamos dizer que é um documento que permite o importador efetuar a importação de sua mercadoria.

 

E não é isso Carol?!

 

Sim, é isso também!

 

Digo também porque a licença de importação não está apenas vinculada a permissão para entrada no Brasil da mercadoria que será importada. Pode também estar vinculada a permissão do tipo de operação que será realizada na importação.

 

Também poderia se pensar que a Licença de Importação é um documento emitido uma única vez, e pronto, como por exemplo uma Licença de Funcionamento de Empresa (alvará). Mas não é!

 

Como assim Carol?! Não estamos entendendo!

 

Para facilitar o entendimento, vamos por partes então.

 

O QUE É A LICENÇA DE IMPORTAÇÃO?

 

Segundo o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), a Licença de Importação é:

 

“A LI é um documento eletrônico registrado pelo importador no SISCOMEX, que contém informações acerca da mercadoria a ser importada e da operação de importação de maneira geral, tais como importador, exportador, país de origem, procedência e aquisição, regime tributário, cobertura cambial, entre outras.”

 

Fonte: Site do MDIC.

 

Resumindo, trata-se de um documento eletrônico emitido através do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX), que contempla todas as informações:

 

  • da mercadoria: Classificação Fiscal – NCM, Peso bruto e Peso líquido, Descrição em português, Quantidade, Valor unitário e Valor total.

 

  • da operação: Local de embarque, Local onde será feito o despacho, Tratamento tributário que será aplicado, Incoterm, Modalidade cambial, Fabricante e Exportador.

 

Podemos ter um determinado tipo de mercadoria, como por exemplo “Chás prontos para o consumo” sujeitos a Licença de Importação. Esta obrigatoriedade da Licença de Importação está vinculada ao tipo de mercadoria, bebida pronta para o consumo humano, este tipo de produto tem anuência do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

 

Por outro lado, podemos ter uma mercadoria que pelo seu tipo não está sujeita a licença de importação, mas devido a forma que a operação de importação irá ocorrer faz-se necessário a emissão da Licença, é o caso das mercadorias submetidas ao Regime Especial de Drawback, que devido ao tratamento tributário que será aplicado, a operação fica sujeita a Licença de Importação.

 

UMA LICENÇA PARA CADA OPERAÇÃO

 

Como eu mencionei no começo do texto, a Licença de Importação, não é igual a Licença de Funcionamento da Empresa (Alvará).

 

Falo da Licença de Funcionamento apenas como um exemplo para que vocês possam comparar que apesar de ambas serem consideradas “licenças” a operacionalidade é totalmente diferente uma da outra.

 

A Licença de Funcionamento para estabelecimentos geralmente é emitida e concedida uma única vez, sendo definitiva.

 

Já a Licença de Importação é emitida por operação, ou seja, deve ser emitida uma nova LICENÇA DE IMPORTAÇÃO toda vez que o importador for efetuar uma nova importação.

 

NOVIDADE!

 

Pessoal, uma novidade é que o governo está revendo todo o processo de importação, inclusive o procedimento de Licença de Importação. A previsão é que venham algumas mudanças para a Licença de Importação, e que será possível, futuramente, que uma única LICENÇA DE IMPORTAÇÃO seja utilizada para diversas operações! Mas infelizmente é apenas futuramente, por enquanto continua o procedimento normal.

 

Agora que o conceito da Licença de Importação já foi entendido, vamos para o ponto em questão:

 

PARA QUE SERVE UMA LICENÇA DE IMPORTAÇÃO?

 

Para que o governo possa ter o Controle Administrativo das importações.

 

Carol, o que seria exatamente isso?!

 

É através da Licença de Importação que o governo pode controlar “o que entra no país” e “como entram no país” determinadas mercadorias.

 

Este tipo de controle funciona como uma barreira não-tarifária.

 

Barreira Não-Tarifária é…

…qualquer medida de caráter administrativo, financeiro, cambial ou de qualquer natureza, mediante a qual um Estado Parte impeça ou dificulte, por decisão unilateral, o comércio recíproco.

(Fonte: Glossário do MERCOSUL)

 

 

Esse controle administrativo de que falamos visa proteger o país, evitando que mercadorias que não respeitem nossas legislações entrem no país. Mercadorias estas que possam prejudicar a saúde humana ou danificar o meio ambiente, como também provocar desequilíbrio no mercado interno.

 

É através do controle administrativo que é feito o monitoramento de preços com objetivo de assegurar e proteger a indústria nacional.

Há também razões de ordem política para o controle, como recomendações de organismos internacionais com intuito de não promover o comércio entre países que não respeitem os direitos trabalhistas, por exemplo.

 

Vejam a definição do MDIC a respeito do Controle Administrativo das importações:

 

Controle Administrativo é:“Controle exercido com o objetivo de verificar a consonância da operação pretendida em relação às normas comerciais, técnicas, sanitárias, ambientais, entre outras.”

(Fonte: Site MDIC)

 

ÓRGÃOS ANUENTES

 

Mas Carol, quem são estas pessoas do governo que fazem estas análises das Licenças de Importação?

 

São os órgãos anuentes.

 

ÓRGÃOS ANUENTES: São os órgãos governamentais responsáveis pela análise da importação, são eles quem autorizam o início do processo de importação de determinadas mercadorias/operações sujeitas a controle específico, por exemplo, de ordem sanitária, de interesse de segurança nacional, etc.

 

Carol, mas quem são eles?

 

Abaixo disponibilizo o rol de órgãos anuentes que operam na importação:

 

  • ANCINE – Agência Nacional do Cinema
  • ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica
  • ANP – Agência Nacional de Petróleo
  • ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
  • CNEN – Comissão Nacional de Energia Nuclear
  • DECEX – Departamento de Operações de Comércio Exterior
  • DFPC – Exército Brasileiro / Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados
  • DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral
  • DPF – Departamento de Polícia Federal
  • ECT – Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
  • IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
  • INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial
  • MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
  • MCT – Ministério da Ciência e Tecnologia
  • SUFRAMA – Superintendência da Zona Franca de Manaus

 

EXEMPLO

 

Para ficar mais claro esse Controle Administrativo vou citar para vocês um exemplo interessante.

 

Para importar MÓVEIS DE MADEIRA é necessária a Licença de Importação.

 

Quem faz esta análise para verificar se PERMITE ou NÃO PERMITE a entrada dos móveis de madeira no país é o órgão anuente, que neste caso é o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

 

Vejam que a preocupação do MAPA nesta análise é com relação ao risco de pragas que a madeira pode conter. Notem que existe uma grande responsabilidade por parte do MAPA de evitar que entrem no país pragas que possam comprometer e ameaçar a nossa agricultura.

 

E não é apenas para os casos de mercadorias feitas de madeira que o MAPA faz esta análise, mas sim para todos os tipos de espécies vegetais, inclusive para as embalagens das mercadorias que chegam no Brasil, como os pallets e caixas de madeira.

 

“Análise de Risco de Pragas é o processo de avaliação biológica ou outra evidência científica e econômica para determinar se um organismo é uma praga, se ela deve ser regulamentada, e a intensidade de quaisquer  medidas fitossanitárias  a  serem  adotadas  contra  ela  (FAO, 1995; revisada CIPV, 1997; NIMF Nº 2, 2007).”

 

(Fonte: Site do MAPA)

 

Abaixo listo outros exemplos de importações e suas anuências de maneira resumida:

 

Mercadorias que precisam de LICENÇA DE IMPORTAÇÃO:

 

  • Importações de peixes para reprodução (anuência MAPA);

 

  • Importações de óculos de sol (anuência DECEX);

 

  • Importações de armas de fogo (anuência DFPC – Exército).

 

  • Importações de medicamentos (Anuência ANVISA)

 

Operações que precisam de LICENÇA DE IMPORTAÇÃO:

 

  • Importações de Material Usado, salvo algumas exceções (anuência DECEX);

 

  • Importações realizadas ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus (anuência SUFRAMA);

 

  • Importações realizadas ao amparo do regime aduaneiro especial de Drawback (anuência DECEX).

 

ANUÊNCIA

 

E para ficar mais clara esta questão da anuência, vejam a figura abaixo:

 

(Fonte: MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).

 

Vejam o quão importante é saber se a mercadoria que você quer importar para revender no Brasil precisa ou não de Licença de Importação.

 

Caso seja necessária a LICENÇA DE IMPORTAÇÃO, apenas será permitida a entrada da mercadoria após os órgãos anuentes se pronunciarem DEFERINDO a LICENÇA DE IMPORTAÇÃO, ou seja, após a autorização da importação por parte da manifestação dos órgãos anuentes no próprio documento.

(OBS: Imagem retirada de uma Licença de Importação DEFERIDA no SISCOMEX.)

 

EMBARQUE DA MERCADORIA

 

Sendo a emissão da Licença de Importação efetuada no SISCOMEX é necessário aguardar a sua autorização antes de embarcar a mercadoria para o Brasil. Em alguns casos é possível embarcar a mercadoria sem a Licença de Importação ter sido deferida, porém assim que a mercadoria chega no Brasil o órgão anuente faz uma inspeção física para verificar se esta está de acordo, para então deferir a Licença de Importação e o importador poder dar sequência no registro da Declaração de Importação (D.I).

 

CONCLUSÃO

 

Vistas todas essas informações, quero destacar aqui que a operação de importação no Brasil não é para marinheiros de primeira viagem…então pesquisem, perguntem e contratem profissionais competentes na área de comércio exterior pois assim poderão planejar corretamente sua importação sem correr riscos ou ter surpresas no momento da operação na prática.

 

Abraços!

3 Principais causas de multas no processo de importação

Importação não é para amadores. O que deveria ser apenas um processo de compra de mercadorias comum – onde a única diferença é que o fornecedor não se encontra no Brasil – pode ser na verdade uma grande dor de cabeça, se não forem tomados os devidos cuidados. Nesse artigo irei abordar as 3 causas de multas mais comuns no processo de importação. Ao final deste artigo você saberá não apenas quais são as causas, mas qual o tamanho do prejuízo caso elas ocorram e, principalmente, como evitá-las. Continue reading “3 Principais causas de multas no processo de importação”

Como importar pela primeira vez

Sabe quando você começa a perceber que poderia alcançar novos clientes se tivesse mais opções de produtos disponíveis para venda na sua empresa?

Que com uma diversidade maior de produtos, poderia ser mais competitivo no mercado e até mesmo fidelizar de uma maneira mais eficiente os clientes?!

Você sempre ouvir falar que importar é muito burocrático e complicado, certo? Então atualmente você deve pensar: “isso não é pra mim, isso não é para minha empresa”.

Meu nome é Carolina Macedo, sou administradora de empresas e criadora do Blog S.O.S. Importação. Esse artigo tem como objetivo ajudar aos empresários que gostariam de começar a importar.

Este é meu primeiro artigo aqui no blog da Mainô, e fiquei muito feliz com o convite para escrever a respeito de temas importantes do comércio exterior. Haverão outros artigos futuros onde também vou falar sobre algumas experiências do dia a dia com importação, assim como comentar as novidades mais interessantes da área.

Fiquem à vontade para enviar mensagens e comentários.

Então, vamos lá…

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Geralmente os empresários contratam um consultor para buscar respostas e abrir novos caminhos. Considere então este artigo uma consultoria gratuita. No texto de hoje vou trazer uma alternativa para abrir novos caminhos para a sua empresa!

A situação geralmente é a seguinte:

Consultor: Sua empresa poderia se tornar mais competitiva no mercado interno se aumentasse sua gama de produtos!

Empresário: E como eu faço isso? Já trabalhamos com todas as marcas disponíveis no mercado nacional!

Consultor: Você pode IMPORTAR novos produtos!

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Neste artigo você encontrará as 4 etapas que uma empresa deve seguir para se tornar uma empresa importadora.

1 ) Habilitação no Radar

 

A primeira etapa é o que chamamos de “Habilitação no Radar”. Nada mais é do que o cadastramento da empresa na Receita Federal. Para este cadastramento são solicitados alguns documentos que comprovam a capacidade e saúde financeira da empresa. O Auditor Fiscal da Receita Federal analisará se a empresa está apta ou não para efetuar importações.

Os documentos básicos que devem ser apresentados na Receita Federal para esta habilitação são:

    • Requerimento de habilitação do responsável legal pela pessoa jurídica (Acessem aqui);
    • R.G. do responsável legal pela pessoa jurídica;
    • Formulário de Controle de Acesso aos Sistemas Informatizados da RFB. (Acessem aqui);
  • Contrato Social e alterações realizadas nos últimos três anos;
  • Certidão da Junta Comercial;
  • E fazer adesão ao Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) – (Acessem aqui);
  • Entre outros documentos que poderão vir a ser solicitados pelo Auditor.

É necessário juntar essa documentação e apresentar na Receita Federal mais próxima da sua empresa. Não há cobrança por parte da Receita Federal para realizar esta habilitação.

Resumo da primeira etapa: 

2) Conhecimento da Mercadoria

 

A próxima etapa diz respeito ao conhecimento da mercadoria e deve ser feita de maneira bem minuciosa.

É necessário conhecer detalhadamente a mercadoria que irá importar. Isso quer dizer que você deverá saber todas as informações técnicas e conceituais da mercadoria.

Carol, o que você quer dizer com isto?

Eu explico.

Na importação toda mercadoria tem uma classificação fiscal (NCM). E para definir qual a NCM da mercadoria precisamos conhecê-la detalhadamente.

Vejam um exemplo:

Quero importar vestidos para revender no Brasil!

O que é preciso saber sobre o vestido:

– COMPOSIÇÃO: Lã? Algodão? Fibras Sintéticas? Fibras Artificiais?

– TAMANHO: Adulto? Infantil?

– FORRO: Completo? Parcial? Sem forro?

– MANGA: Curta? Sem manga? Longa? ¾?

– COMPRIMENTO: Longo? Curto?

 

Vejam quantas informações são necessárias para poder classificar o produto a ser importado. Quanto mais detalhada for a descrição da mercadoria, mais fácil será essa análise e classificação na NCM correta.

No entanto, há produtos que devido à complexidade, é mais indicado que um especialista da área oriente e ajude na definição e classificação.

Todas as mercadorias estão classificadas através do código NCM na TEC (Tarifa Externa Comum) e na TIPI (Tabela do IPI). E é através da NCM que conseguimos apurar as alíquotas dos tributos e seus benefícios, assim como as barreiras alfandegárias.

A pesquisa da NCM pode ser feita através do Simulador do Tratamento Tributário e Administrativo das Importações disponível no site da Receita Federal, segue abaixo o link.

Resumo da segunda etapa:

Passamos agora para a terceira etapa.

3) Exigências para importação

 

Definida a NCM, podemos saber quais os procedimentos que o governo exige para a importação da mercadoria.

Carol, como funciona isso?

Para determinadas mercadorias o governo impõe algumas barreiras. Essas barreiras podem ser tarifárias e não-tarifárias.

As barreiras tarifárias são referentes aos tributos incidentes sobre o valor aduaneiro da mercadoria.

Já as barreiras não-tarifárias são uma série de procedimentos que o importador é obrigado a cumprir para poder entrar com a mercadoria no Brasil.

Vejam que dentro das barreiras não-tarifárias temos, segundo o MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), as restrições quantitativas, licenciamento de importação, procedimentos alfandegários, valoração aduaneira arbitrária ou com valores fictícios, medidas antidumping, medidas compensatórias, subsídios, medidas de salvaguarda e medidas sanitárias e fitossanitárias. Dentre estas últimas encontram-se as barreiras técnicas, que são mecanismos utilizados com fins protecionistas.

É importante que você saiba quais barreiras existem para a mercadoria que deseja importar, pois estas informações irão impactar diretamente em prazos e custos, além de serem pontos importantes na decisão quanto a viabilidade da importação.

Carol, e onde pesquisamos isso tudo?

Através do Simulador do Tratamento Tributário e Administrativo das Importações disponível no site da Receita Federal. O link de acesso é este aqui.

Vejam um exemplo abaixo.

Considerei um valor qualquer para a mercadoria, apenas para que a simulação fosse gerada.

Vocês podem verificar que para a NCM 6912.00.00 (Louças para mesa) existem as barreiras tarifárias, do lado esquerdo da figura abaixo, e as barreiras não-tarifárias do lado direito da figura abaixo.

Resumo da terceira etapa:

4) Nacionalização da Mercadoria

É de grande importância, depois te ter levantado todas as informações nas etapas anteriores, pesquisar empresas que façam o despacho de importação, pois você irá precisar de uma empresa (Comissária de Despacho Aduaneiro) que faça a nacionalização da mercadoria.

Estas empresas irão lhe prover o suporte necessário para que a operação flua de maneira eficiente.

Abaixo trago um checklist dos custos que irão ocorrer na importação. Este checklist é importante pois você como empresário tomará ciência do custo da operação como um todo e poderá decidir qual a quantidade de mercadoria ideal para importar, assim como poderá simular o preço de venda da sua mercadoria no Brasil.

Abaixo um breve resumo da quarta e última etapa.

>> Saiba mais: 4 perguntas frequentes sobre a nota fiscal de importação <<

Pessoal, finalizo a matéria de hoje com estes quatro passos para você tornar sua empresa uma importadora competitiva! Trata-se de um guia, mas em cada um desses passos podem existir desdobramentos. Entretanto, agora você já sabe por onde começar.

Seguindo estes passos, sua empresa poderá importar mercadorias de qualquer país, China, Estados Unidos, Austrália, Itália. Quantas portas se abrem para novos negócios, não é mesmo? O mundo é o limite!

Basta que você tenha ciência dos custos e consiga boas negociações. Com certeza conseguirá se tornar forte em seu segmento e ser muito mais competitivo no mercado.

 

Bons negócios!