Como estão as importações em meio à crise?

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As importações surpreenderam o setor de comércio exterior com a crise causada pelo coronavírus e a alta do dólar. Era esperado uma baixa nas importações e aumento das exportações. Entretanto, não é isso que está ocorrendo em meio a crise do coronavírus. Em diversos setores, a importação alcançou recordes na importação de produtos, como por exemplo carnes e produtos médico-hospitalares.

Com isso surge um questionamento, porque a importação está em alta mesmo em meio a uma crise? Existem números que mostram que mesmo com dificuldades, as importações permanecem superiores ao ano de 2019, no mesmo período.

Neste artigo abordaremos os possíveis motivos econômicos, sociais e até políticos que estão interferindo nas importações.

Comércio exterior em 2020: números e expectativas antes do Coronavírus

Em nosso artigo sobre as previsões para o Comércio Exterior brasileiro em 2020, as projeções divulgadas pela AEB, no fim do ano passado, previam essas expectativas para 2020: 

  • Aumento das importações em 6,6% em comparação a 2019, indo de US$179,248 bilhões, estimados no ano passado, para US$ 191,211 bilhões;
  • Queda de 3,2% nas exportações, estimando-se um total de US$ 217,341 bilhões frente aos US$224,447 bilhões estimados para 2019;
  • Ainda que se preveja uma queda de 42,2% em comparação ao ano passado, o superávit deste ano está previsto para US$ 26,130 bilhões. 

Até então o que justificaria esse aumento das importações seria um reflexo da expansão do mercado doméstico brasileiro. Já no caso das exportações, os motivos eram da redução das exportações de commodities e de manufaturados, ambos impactados por fatores internacionais. 

O que nós não sabíamos era que que enfrentaríamos uma pandemia global por conta do coronavírus.

Coronavírus: qual o impacto no comércio exterior

Quando tudo se iniciou, era totalmente incerto o destino das economias ao redor do mundo. Segundo economistas, a China acabou perdendo o controle sobre o vírus e isso afetou todo o mercado internacional.

Em nossa bolsa nacional, viram-se quedas históricas, não só pelo início da pandemia, mas por conta de fatores como a baixa do petróleo no exterior, fatores políticos envolvendo a presidência, aumentando a volatilidade política e econômica. Isso estremece profundamente a relação com investidores no país, afinal ninguém busca investimentos como uma forma de obter prejuízos. Por conta disso, investidores tendem a preferir investir em ativos mais seguros como o dólar, que permanece numa crescente alta.

Importações: e a china?

 A china tem papel principal no supply chain global. Se a sua estrutura está abalada por conta da pandemia, o mundo inteiro certamente irá sofrer as consequências. Segundo profissionais do comércio exterior, foi percebido atrasos de embarque, falta de documentação, cancelamentos de embarques devido a atrasos na produção chinesa e etc.

Alguns setores são afetados mais rapidamente, como é o caso da indústria brasileira de eletroeletrônicos. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), 70% das empresas do setor já lidam com a falta de abastecimento de componentes e insumos importados da China.

Fábricas estão com suas linhas de montagem paralisadas ou com atividade reduzida em decorrência da falta de peças.

Em vista disso, uma retomada do país, tanto pela recuperação dos impactos do vírus ou por contrapartidas econômicas também irá gerar um impacto positivo para seus fornecedores. E é isso que está acontecendo. A china finalmente já dá sinais de alívio após o pico do coronavírus no país. 

Importações: de olho nos dados

Em época de crise, o excesso de informação pode influenciar totalmente a tomada de decisão. Ela também interfere no foco dos empreendedores sobre as oportunidades que podem surgir mesmo em meio a crise. O cenário de longe é favorável a nível global. Entretanto, mesmo em meio a todas estas barreiras, as importações seguem em crescimento. A diversificação dos tipos de produtos, são marca registrada nos gráficos. Como por exemplo a representatividade dos produtos médico-hospitalares,  que foram altamente beneficiados, zerando as alíquotas e também benefícios em relação a burocracia no despacho destes produtos.

Abaixo seguem os dados das importação referentes a Janeiro a março de 2020:

Dados das importações
Fonte: MDIC

As importações estão 4,3% maiores em relação ao ano passado. Mesmo com todos os impactos externos e contratempos, os números gerais podem e devem ser levados como otimistas.

O padrão dos países  mais importadores não teve mudança do que é habitual, como mostra a imagem abaixo:

Abaixo os produtos mais importados:

Importações: o que pode ser visto como otimista?

Redução de burocracias, alíquotas sendo zeradas, agilidade nos trâmites burocráticos, devem ser vistos como melhorias para todo o setor. O que é um fato, é que a crise não é para sempre. Os dados nos mostram um crescimento, mesmo quando o cenário deveria ser devastador.

Se adaptar as mudanças e propor novos papéis em meio a crise, deve ser o fio condutor para sairmos o mais breve possível deste momento. Sabemos que não será logo, porém, quanto mais desafiadora é a crise, mais surgem movimentos de inovação que pode ser definitivos e beneficiar  todo o comércio exterior.

 

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